Ferramentas para Produção Musical durante muito tempo foram (e continuam sendo ainda, em muitos casos) objetos de desejo alcançados e acessíveis apenas à poucas pessoas. Quase em sua totalidade baseadas em caríssimos equipamentos fabricados com precisão cirúrgica ou, os mais sonhados, totalmente feitos à mão. Tais ferramentas eram o diferencial básico entre um estúdio e outro, entre uma produção de baixa-média-alta qualidade!

             Com o advento da gravação digital, além de qualquer discussão sobre qualidades e defeitos em cada metodologia de trabalho, os estúdios aumentaram em número, porém ainda reduzidos, frente ao vasto campo de trabalho possível, à época. Isto porque apesar de baratear, em termos, a produção das ferramentas, ainda sim os preços continuaram possíveis ainda para poucos usuários, quase todos detentores de um certo poder aquisitivo mais amplo - apesar da virtualização de parte do processo, o sistema ainda tinha (e tem!) necessidade de um mecanismo em hardware, capaz de gerar a conversão digital-analógico e vice-versa. E isto ligado ao monópolio de algumas poucas empresas detentoras da tecnologia, aliadas à “venda casada” de software+hardware, permitiu durante muito tempo que tais empresas ditassem os rumos do setor, através de preços, políticas de parcerias, entre outras ações.

            Porém, como em todas as áreas que envolvem tecnologia digital, rapidamente desenvolvedores ligados à grupos empresariais de pequeno e médio porte, ou até mesmo individualmente, começaram à trabalhar em soluções e alternativas aos produtos já solidificados no mercado.

            Obviamente, com pouco investimento, parcos recursos, e um incipiente acesso ao conhecimento necessário, as primeiras gerações de produtos para produção musical digital fora do mercado consolidado, apresentaram-se com baixa qualidade e pouca aceitação pelo público-alvo profissional, ficando restrito à pequenos círculos de curiosos e entusiastas, profissionais da área de informática interessados em música. Eram por demais complexos para usuários domésticos e não ofereciam a qualidade mínima almejada pelos profissionais do setor.

            Como em toda cadeia evolutiva, estas primeiras gerações de produtos, apesar de não alcançarem diretamente seus objetivos, propocionaram pouco à pouco o acúmulo de know-how e metier por parte dos desenvolvedores independentes, e aliados aos produtos high-end do setor, começaram a conquistar espaço entre as grandes gravadoras e músicos. E se por um lado ainda havia o receio quanto à qualidade do áudio digital, por outro oferecia recursos de edição e manipulação do som que, ou era inviável no “mundo analógico” pelo esforço demandado, ou era inviável pelo alto custo dos equipamentos e tempo gasto (os estúdios cobram por hora para realizar seus trabalhos) para realizar operação similar.

           Assim, aos poucos, vem sendo vencida a primeira batalha: a aceitação do Áudio Digital como possibilidade profissional para produção musical.